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Conheça três princípios do processo criativo: Atenção, Fuga e Movimento

No dia a dia, não é fácil ser criativo o tempo todo. Caímos em atividades rotineiras dentro de casa, no serviço e até nos relacionamentos com outras pessoas. Mas sempre chega um momento em que isso realmente começa a incomodar e tentamos estimular o nosso potencial criativo de alguma maneira.

Neste texto, demos dicas simples de como alcançar isso e agora queremos continuar destrinchando o processo criativo, focando principalmente em seus princípios. Mas, antes, precisamos fazer uma pergunta básica.

Afinal, por que precisamos de processo criativo?

Nos Estados Unidos, os pesquisadores George Land e Beth Jarman reuniram 1600 crianças, entre 4 e 5 anos, e deram a elas desafios para verificar como solucionavam problemas com ideias diferentes e inovadoras. O resultado foi que 98% das crianças se saíram tão bem nos testes que puderam ser consideradas “gênios criativos”.

Cinco anos depois, o mesmo grupo passou por novos desafios de criatividade, mas dessa vez a porcentagem caiu para 30%. Aos 15 anos de idade, apenas 12% podia ser inserida na categoria de “gênios criativos”. Por fim, Land e Jarman expandiram o estudo para mais de 1 milhão de adultos e chegaram à conclusão de que somente 2% era capaz de explorar plenamente sua capacidade criativa.

Os dados não são positivos e esse declínio tem explicação. Basicamente, há dois tipos de pensamento: um é chamado de “divergente” (corresponde à imaginação, sempre gerando novas possibilidades) e o outro é chamado de “convergente” (responsável pelas decisões; pela seleção e refinamento de ideias). Ou seja, o primeiro é como um acelerador, enquanto o segundo é como um freio.

Quando esses pensamentos acontecem em momentos distintos no cérebro, um consegue deixar o outro ainda mais eficiente. Porém, crianças recebem um tipo de educação em casa e nas escolas que faz com que elas usem ambos ao mesmo tempo. Assim, a busca por inovações é interrompida constantemente por vários fatores, como o medo do fracasso e do julgamento alheio, a autocensura e a autocrítica. Crianças criativas tornam-se adultos reprimidos que não conseguem utilizar todo seu potencial.

Para entender melhor essas barreiras que construímos para nós mesmos, assista à interessante palestra da escritora Elizabeth Gilbert:

 

Três princípios do processo criativo

PANDE - Atenção, fuga e movimento-01

Como você viu, a criatividade funciona melhor em etapas. O especialista Paul E. Plsek levou isso em consideração ao definir três princípios básicos do processo criativo, que são catalisadores da inovação. Eles não são regras gerais que se aplicam em todos os casos, mas podem ajudar bastante quem está sempre em busca de ideias.

  1. Atenção

A criatividade requer que concentremos nosso foco em algo: um problema ou uma oportunidade, por exemplo. Nesta fase preparamos nossa mente para romper com a realidade existente e se abrir para possibilidades e conexões que normalmente não enxergamos. Perguntas como “Quem é afetado por isso?”, “Qual o contexto histórico desse problema?” e “Isso poderia acontecer de outro modo?” são essenciais para a compreensão de uma situação.

A inovação da Apple com o computador Macintosh, no início da década de 1980, foi se concentrar principalmente na importância da interface gráfica, que simplificava o uso da tecnologia e não estava recebendo a devida atenção das outras empresas.

  1. Fuga

O segundo passo é escapar mentalmente dos nossos padrões de pensamento. A fuga possibilita ir um pouco mais além das ideias convencionais. É nesse estágio em que a criatividade começa a fluir, indicando os caminhos a serem tomados. Para isso, hábitos, costumes e medos devem ser deixados de lado para favorecer o fluxo de pensamento criativo.

Um bom exercício de brainstorming é pensar em uma situação extrema onde a fuga se tornaria obrigatória. Por exemplo: imagine que o governo emitiu uma lei tornando ilegal o uso de plástico em embalagens. Quais seriam as possíveis saídas para uma marca que utiliza esse material na sua produção de embalagens?

  1. Movimento

Essa é a fase onde exploramos com liberdade o pensamento “divergente”, conectando ideias e fazendo associações. Aqui, geramos o maior número possível de ideias sem cair em críticas e censuras. O movimento é o momento de fazer acontecer, tendo em vista sempre o objetivo inicial do processo criativo.

Dominando esses três princípios é possível criar o processo que mais se adequa à sua personalidade e ao problema específico que você quer resolver.

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