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Reinventando o Brasil

Por Rodrigo Forbeck
Foto: Assessoria de Imprensa Apex-Brasil

 

Pensar muito além dos estereótipos. Misturar inovação, cultura, tecnologia e alegria brasileiras com estratégias atraentes aos investidores estrangeiros. É com um olho na criatividade que o Brasil sempre teve e outro nas tecnologias e estrutura recém-conquistadas que Maurício Borges vem fazendo com que o design nacional seja visto de forma inédita lá fora.

Indicado pela própria presidente Dilma Rousseff, Borges assumiu em 2011 a presidência da Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos − e, de lá pra cá, vem surpreendendo o mercado de exportação com plataformas de negócio diferentes, aproveitando em suas estratégias o ambiente caloroso e a receptividade que encantam o estrangeiro.

Bacharel em Ciências Jurídicas pela Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Direito Internacional e mestrado em Direito Comercial Europeu pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, o presidente da Apex-Brasil acredita que a crise nos mercados desenvolvidos os obriga a buscarem alternativas com quem já lidou com dificuldades em outras épocas. Ou seja, os brasileiros passaram por décadas de instabilidade econômica, por isso têm a vivência que muitos outros mercados não experimentaram e podem, então, oferecer-lhes soluções inovadoras e sustentáveis. “O mundo diminuiu o ritmo de comércio, mas sempre existe uma oportunidade. Se um país tem uma crise, é possível focar em produtos que vão ajudá-lo a enfrentar essa crise”, analisa.

E como apresentar nossas ideias para os que enxergam no Brasil apenas um fornecedor de commodities?

Uma das estratégias do presidente da Apex-Brasil é construir, de fato, uma experiência com a marca Brasil, aproveitando a estrutura de grandes eventos internacionais, como o Carnaval ou mais recentemente a Copa do Mundo. A ideia é aproximar os executivos e compradores em um ambiente informal, construindo relações de confiança que tenham como desfecho novos negócios. Borges os chama para os eventos festivos e aproveita a visita para demonstrar que o potencial da indústria brasileira está muito além do que se conhecia há alguns anos. De acordo com o balanço da Apex-Brasil, os resultados das ações da entidade na Copa do Mundo no Brasil, na qual cerca de 2.386 empresários e investidores de 104 países estiveram, comprovam que a estratégia vem trazendo resultados. “Nos próximos 12 meses serão concretizados os US$ 6 bilhões em exportações e investimentos atraídos ao país, conforme o previsto”, ressalta Maurício Borges.

“Muitos não imaginavam como é a tecnologia brasileira, o know-how brasileiro, a criatividade. O design e a inovação estão entre nossas principais ferramentas para o aumento da competitividade lá fora”, conta.

Só durante a Copa, foram 2,3 mil convidados estrangeiros sendo recepcionados por mais de 700 empresas e entidades setoriais brasileiras.

Grande entusiasta do design e da inovação como elementos fundamentais para competitividade, Borges vem apostando no marketing de relacionamento como estratégia para tornar conhecida a criatividade brasileira.

Além disso, os investidores internacionais valorizam muito a noção de continuidade e, dentro da Apex-Brasil, Maurício está atento a seus anseios. “Hoje, as empresas apoiadas pela agência têm um índice de 80% de permanência na atividade de exportação, enquanto empresas não apoiadas pela Apex-Brasil apresentam um indicador de apenas 45%”, comenta. A PANDE, por exemplo, pôde conhecer as melhores estratégias para a internacionalização graças ao projeto Brasil Design, programa da Abedesign (Associação Brasileira de Empresas de Design) que promove diversas ações para a expansão do design brasileiro no exterior e conta com o apoio da Apex-Brasil. No programa, a empresa foi preparada para detectar as oportunidades e o potencial de negócio dos mercados internacionais que prospectava. O resultado desse apoio fica evidente com o aumento de 400% no volume de exportação no primeiro trimestre de 2014, comparado ao mesmo período de 2012.

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A teoria de que empresas inovadoras são internacionais por vocação encontra respaldo na pesquisa “Inovações, padrões tecnológicos e desempenho das firmas industriais brasileiras”, conduzida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o estudo, as empresas inovadoras têm 16% mais chances de sucesso na exportação e conseguem colocar seus produtos no exterior por um preço superior ao das demais exportadoras.

E se por um lado o Brasil perdeu parte da demanda de seus antigos mercados, como a Argentina, já pode ir se preparando para dar as caras em territórios antes inimagináveis. Borges prevê que “no médio prazo, entre dois e cinco anos, podemos pensar em mercados que vêm apresentando crescimento, como os países africanos Moçambique, Nigéria e Angola, os asiáticos China, Índia e Indonésia, os sul-americanos Peru e Colômbia. Além do México, Rússia e Emirados Árabes. Paralelamente, seguiremos trabalhando em mercados robustos como os Estados Unidos, a Alemanha, a Inglaterra e o Japão”.

Nenhuma das apostas é feita no escuro, garante ele. “A disponibilização de informações sobre os mercados externos, por meio de inteligência comercial, é o serviço de informação estratégica elaborado pela Apex-Brasil para as empresas e entidades setoriais que participam dos nossos projetos. É um trabalho essencial, que avalia necessidades, demandas, características de determinado mercado, antes mesmo de iniciarmos nossa prospecção. E as ações de capacitação ajudam a desenvolver nas empresas as habilidades necessárias para atuar em mercados internacionais. Dentro desse escopo, são avaliados processos e até mesmo a qualidade dos produtos e serviços exportados”.

Com o apoio que precisa para se posicionar estrategicamente no mercado externo, o design nacional tem se revelado competitivo, atraente e capaz de impulsionar o potencial criativo e inovador do Brasil para o mundo todo.