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UI, UX? Afinal, o que é o design voltado para experiências de consumo?

Lembra que, até pouco tempo atrás, o abridor de latas era um item essencial na cozinha para abrir diferentes tipos de latas? Pois é, sem ele, o conteúdo de uma embalagem de leite condensado, por exemplo, ficava difícil de ser acessado. Mas, apesar de o abridor ainda ter sua importância, você já deve ter reparado que, cada vez mais, as latas estão vindo com um sistema abre-fácil, em que basta puxar um lacre para poder consumir o alimento dentro delas.

Um processo que antes poderia demorar até minutos (dependendo da habilidade de cada um), hoje não toma mais que alguns segundos. Sabe o que é isso? É o design impactando positivamente as experiências dos consumidores.

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Simplificar a abertura da embalagem, descomplicar o consumo e facilitar o armazenamento de um produto: tudo isso é pensar em uma experiência mais satisfatória para o usuário. E tudo isso também é pensar em UI (User Interface) e UX (User Experience). Ficou confuso? Calma, continue a leitura para entender!

O design da interface e da experiência

Vamos às explicações! Resumidamente, podemos dizer que o UI Design (referente à Interface do Usuário) está relacionado com a forma como um usuário interage com um produto ou embalagem. Aqui, estamos falando da parte física em si, aquilo que é perceptível visualmente (formato, cores, tipografia, etc.).

Já o UX Design (referente à Experiência do Usuário) diz mais da parte emocional, ou seja, dos sentimentos que o usuário tem ao interagir com um produto ou embalagem. Por isso, profissionais dessa área tentam sempre priorizar os aspectos afetivos que podem ser gerados na relação entre o consumidor e a marca.

Para atingir os melhores resultados possíveis, é fundamental que essas duas partes sejam muito bem pensadas pela empresa. Afinal, o objetivo é apresentar uma interface clara, visualmente interessante e capaz de criar uma conexão forte com a pessoa.

Quer um exemplo fácil de entender?

Sabe todas aquelas vezes que você teve de deixar os potes virados de cabeça para baixo para conseguir aproveitar o máximo de conteúdo possível? Pois bem, a marca de ketchups Heinz percebeu esse comportamento em seus consumidores e viu uma forma de melhorar a interação deles com seu produto por meio do design.

A solução foi inverter os lados da embalagem, de modo que a tampa ficasse para baixo e não para cima, como era mais comum. Essa mudança, aparentemente simples, foi ao encontro de um hábito de armazenamento que a marca havia notado e, ao mesmo tempo, facilitou o consumo do produto, já que, não era mais necessário virar o ketchup para utilizá-lo. A alteração poderia até parecer boba em um primeiro olhar, mas logo ficou claro que era um sucesso e, não à toa, tornou-se uma tendência.

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Antes disso, no final da década de 1980, a Heinz já havia entendido a importância de investir nas embalagens para criar uma boa relação com os clientes. Percebendo que a maioria dos consumidores do ketchup eram crianças, a marca pensou em uma forma mais eficiente de embalar o produto, já que, na época, era comum que ele viesse em embalagens de vidro – material mais pesado e mais “arriscado” para as crianças.

A Heinz optou, então, por substituir a embalagem de vidro por uma EZ Squirt, feita de plástico macio e com bico cônico. A mudança deu mais leveza e facilidade na hora de servir e manusear, e foi tão bem aceita que o consumo de ketchup aumentou em 12%!

Confira também: “Utilizando embalagens como estratégia de branding

Mas o que isso tem a ver com UI e UX Design?

Praticamente tudo! A explicação por trás dessas mudanças feitas pela Heinz tem relação com UI e UX. Mas o que isso quer dizer?

Quando a primeira garrafa foi desenvolvida, ainda em vidro, o pensamento prioritário era a interface do produto e a forma como o usuário iria interagir com o ketchup. Mas havia ali a possibilidade de explorar a experiência do usuário de uma maneira ainda mais interessante.

Isso aconteceu quando a marca fez uma alteração física de design que permitia uma utilização mais simples, natural e positiva do produto. Ou seja, ela pensou na interface como uma ferramenta para aprimorar a experiência dos consumidores com o ketchup, aproximando a UI da UX  E isso deve ser sempre um objetivo.

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Fato é que, assim como a Heinz, várias empresas passaram a se atentar aos hábitos dos usuários para desenvolver uma nova (e melhor) forma de entregar seus produtos e embalagens, priorizando a eficiência e a construção de uma boa relação com consumidores.

Para que isso ocorra, é fundamental estar sempre atento às tendências de mercado e de consumo. Por isso, teste protótipos, pense na usabilidade daquilo que você oferece, garantindo que toda experiência com o seu produto aconteça de forma consciente e positiva. Comece sempre perguntando: por que estamos fazendo este produto ou esta embalagem? Quais são suas funcionalidades e características? Como é sua usabilidade? E, ao responder, procure alinhar as necessidades dos usuários com os objetivos da sua marca.

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